quarta-feira, 26 de maio de 2010

Novo blog

Para melhorar e ampliar a interação com os leitores, meu blog agora será atualizado no endereço:
www.etcedigital.wordpress.com. Conto com a audiência de todos vocês.
Abraços,,

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Comunicação em Barcelona


Desde que cheguei à Espanha, estou sendo bombardeado por um volume sem fim de informações sobre comunicação, inovação, tecnologia, cultura e outros bichos mais. Na verdade, fiquei tão estarrecido, que não consigo escrever sobre essas coisas. É uma espécie de bloqueio.


Falar das bancas de revista daqui, por exemplo, já daria boas páginas. As conversas com Ricardo Torres, no Citilab, a filosófica palestra de Jesús Martin Barbero e o bate-papo no restaurante de Vic com Alejandro Piscitelli, poderiam preencher um livro.

Quando estava colando grau, no curso de jornalismo, percebi que minha trajetória acadêmica não podia parar ali. Tinha aprendido muito, mas precisava mais, muito mais. Fiz uma pós na PUC Minas em produção em mídias digitais e fiz boas amizades por lá. As discussões acadêmico-digitais, muito pertinentes, foram o combustível para chegar até o mestrado.

Escolhi a Universitat de Vic, na terra do catalão, e lá comecei, em outubro de 2009, um mestrado semipresencial. Esse estudo me trouxe até Barcelona e não hesitei. Papelada sem fim, traduções juramentadas, mais papeis, diplomas e planos de estudo.

No dia 4 de abril de 2010 desembarquei no Aeroporto Internacional de Lisboa e duas horas depois, em Barcelona. Aqui tudo é comunicação, visualidade e sensação. Seja de sabores, cheiros ou do nada modesto tempero do Kabab – o melhor da cidade.

Por indicação da minha professora Ruth, conheci a livraria Medios, perto da Universitat de Barcelona, ao lado do Museu de Arte contemporânea. Cheguei lá numa tarde displicente e, quanto entrei, senti como se toneladas de livros caíssem sobre minha cabeça. Comprei sete, depois de um minucioso pente fino nas dezenas de prateleiras da deliciosa livraria. Baratos e imprescindíveis, são publicações que não encontro no Brasil. Isso me obrigou a abarrotar sacolas. Precisava agora e, urgentemente, encontrar uma praça e consumi-los.

Cheguei ao insaturável Parque Ciudatella. Sentei na grama e depois busquei o restinho do sol entre árvores nos bancos de madeira de lá. Um por um, fui elegendo a ordem num delicioso caminho de letras e descobertas. Comecei pelo título: El último Ejemplar Del New York Times, de Vittorio Sabadin.

Entre livros, textos, links e muita conversa com professores, nas mesas de bar com colegas do mestrado, chegou o dia de visitar o Citilab – um laboratório de tecnologia em Cornellá, um lugar um pouco distante do centro de Barcelona. Que delicia era estar ali, dentro de uma das tantas salas falando de embriões ainda tão frágeis sobre comunicação e educação. Fotos, anotações e muita memória de um lugar que, no futuro, será tão comum como lojas do MacDonald´s.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Salão Internacional de Comics de Barcelona


Ontem fui ao 28 Saló Internacional del Còmic de Barcelona, que vai até domingo. São exposições, lançamentos de livros, games, conferências e diversas atividades paralelas. Mesmo para quem não curte muito este universo dos desenhos, é impossível sentir tédio no lugar. É gente de toda idade tentando garimpar entre relíquias, alguns exemplares de comics de toda parte do mundo ou simplesmente, brincando entre personagens dos desenhos animados.

 
Você lembra da série Esquadrão Classe A da década de 80?  O furgão preto estava estacionado no salão. El Equipo A, que será lançado dia 30 de julho é estrelado por Liam Neeson como John Hannibal Smith; Bradley Cooper no papel de Templeton Peck; Sharlto Copley como Murdock e Quinton Jackson como M.A Barracus. O filme é dirigido Joe Carnahan.

 
Outra coisa que me chamou muito a atenção no evento foi a presença do Studio Legion 501, empresa de efeitos especiais que trabalhou junto com George Lucas nos filmes do Star Wars. O motivo foi o aniversário de 30 anos do filme O império Contra ataca, um dos episódios mais conhecidos da saga. Destaque para a presença da atriz Nalini Krishan que participou no filme O ataque dos Clones. Mais informações sobre o estúdio no site: www.legion501.com

Quadrinhos no Ipad

O futuro também marcou presença lá. Apesar de um pouco tímido o Stand Koomic é a primeira loja de venda de comics para leitores digitais como o Ipad que, diga-se de passagem, nem chegou ainda à Espanha. Seus idealizadores estão fazendo uma pesquisa para saber do interesse e demanda deste mercado que acabou de nascer. Não sabemos como será o futuro das revistas em quadrinho, mas é certo que muitos profissionais (ou quase todos) já utilizam a caneta digital para desenhar diretamente no photoshop.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A primavera mora aqui

Tive aula bem cedo no sábado. Terminei a tutoria do mestrado. Peguei a bicicleta, fui até Grácia para olhar as ruas, pessoas e o comércio do dia de sol. Óculos escuros, bermuda colorida e camisa amarela. Faltavam cinco minutos para a seis da tarde. Andar sem rumo foi um hábito que aprendi aqui.

Lá em Grácia, existem praças repletas de crianças e um comércio que atrai turistas. Também pudera, é tudo muito perfeito. Casas de pães, doces dos mais variados, livrarias que mais se parecem com museus, salas de cinema com filmes de todo lugar. Passava pela Carre di Verdi e vi uma loja onde tocava Jack Jonhson bem alto. Eram roupas femininas bailando nas araras, nada lá passava dos 15 ou 20 euros.





Filhos no colo dos pais a pedir carinho. Amores explícitos em praças repletas de primavera. O sol já começa a se esconder por detrás de prédios baixos com suas sacadas rigidamente alinhadas. O serviço de limpeza da cidade inicia seu trabalho de lavar as ruas e recolher o lixo. Barcelona precisa se vestir para a manhã que promete sol forte.

Dia inesquecível

Acordei cedo num domingo cinematográfico. Em 10 minutos já estava com a mochila nas costas e duas baterias da máquina de fotografar. O destino era o Parque Ciutadella. Com uma bicicleta e roupas leves cheguei lá na hora exata.

Horário perfeito para encontrar um parque repleto de gente, de uma vida pulsante e multicolorida. Pães, doces, ternura e música por toda parte. Céu azul repleto de sorrisos. Aqui, isso se chama domingo.
Caminhando pelas largas e bem cuidadas trilhas, gente deitada na grama verde vivendo o típico dia no parque. Onde estavam as lan houses? Onde estão os celulares tocando sem parar e os e-mails a conferir? Onde estão o futuro da comunicação e os aparatos tecnológicos de último tipo? Com certeza, lá não chegaram. Era um mundo off-line aquele espaço ali.

O parque é o lugar para olhares macios, pés descalços, pernas cruzadas e sorrisos. Um ambiente mágico e propício ao toque, não de teclas, mas de mãos. Não haviam telas para olhar e sim pessoas. Não existiam elevadores ou escadas-rolantes, mas patins, bicicletas e patinetes para se locomover. 


No Ciutadella não entram carros luxuosos. Não desfilam corpos sarados. Os ricos e pobres se divertem num ambiente lúdico e se misturam sem perceber. O Google não traduz aquilo ali com seus mapas e fotos. Escondidos em árvores altas, pássaros. Sentados nos bancos, idosos. Parece que o mundo começa ali.

Lá pelas quatro da tarde resolvi comer alguma coisa. Acontecia a Feira da Terra e as barracas, em sua grande maioria, vendiam produtos orgânicos, naturais, livres de agrotóxicos ou artesanais. Uma algazarra divertida de cheiros e sabores invadiu o lugar. Andava de um lado para o outro tentando entender aquela movimentação civilizada de gente, todos buscando sua comida e um lugar na grama para se sentar. 


Crianças lindas pediam colo, já sinalizando a preguiça gostosa da sesta. No braço de pais zelosos e corujas, o sono os transportava entre paraísos. A feira e o parque começam a diminuir seu ritmo, o cansaço do dia bem vivido começa a chegar. Já são quase 7 horas 

segunda-feira, 19 de abril de 2010

A Espanha de Barcelona


Bien venido a bordo del tren AVE 3462 con destino a Atocha - Madri. Assim anunciou o serviço de bordo e partimos, exatamente na hora marcada, 6h40 da manhã. Um minuto apos o início da viagem, uma “trilho-moça” chegou oferecendo auriculares, nosso bom e velho fone-de-ouvidos. Os termômetros marcavam 14 graus.

Saí de casa, que fica a um quarteirão da estação de metrô Lesseps – linha verde, exatamente 6h10 da manhã. Meu destino era na Estação Sants onde embarcaria no trem bala. Desci as escadas e o metrô abriu as portas para mim 6h16. Fiquei preocupado com o horário. Pouco mais de 15 minutos depois, desembarcava na estação que me daria acesso ao trem-bala.

El lince Perdido, o filme escolhido pela tripulação, já estava na tela de LCD às 6h55 da manhã. Nossa próxima parada, em Zaragoza, aconteceu 8h05. Antes, um sanduíche de tomates no Punto y coma, no vagão 4 do luxuoso trem.

Aqui na Espanha tudo impressiona. A eficiência do metrô, a beleza da arquitetura, a limpeza da cidade e a vida cotidiana. Tudo isso completa a sensação de tranqüilidade e alegria deste povo.

Há turistas e gente de toda parte de mundo. São burcas, roupas extravagantes, piercings e tatuagens para todo lado. A maneira veloz como conversam, tendas de flores, frutas e jornais, completam a química catalã.

Esta cidade, que mais parece um museu a céu aberto, reserva um encanto em cada esquina. Andando de bicicleta, sem destino certo, encontro igrejas, prédios e museus por todo lado. Artistas de rua, estátuas vivas, cantadores e instrumentistas da melhor qualidade estão por todo lado, na busca pelas valiosas moedas da população de turistas.

Franceses, ingleses e gente no norte europeu. Um povo, de tão branco e de olho tão azul, que chega a impressionar. São mães carregando seus filhos em carrinhos modernos ou colados ao corpo. São famílias mais numerosas que as nossas.

Aqui nas praças – que não são poucas –, famílias inteiras se divertem em centenas de parquinhos bem cuidados. Mães zelosas, pais corujas e seus filhos lindíssimos. É comum ver trocas de carinho entre casais e seus filhos. Patinetes, skates, bicicletas e muitos cachorros, contribuem para o sorrido largo das crianças daqui.

No Parque Ciudadela, minha nova amiga Ana Vilar faz ioga, tocadores de violão e namorados se esparramam por gramas e jardins bem cuidados. Na primavera que se aporta, flores, muitas flores para a alegria de fotógrafos amadores ou não.

Aqui se come bem. Presuntos variados, croissants, queijos, peixes dos mais diversos tipos, comida internacional de qualquer parte – até do Vietnam se encontra aqui. As frutas, morangos enormes, melão e laranjas de cores intensas têm sabor inexplicável. Isso, para não falar das sem-número de cafeteria deliciosas. Impossível não parar em um desses e curtir um café “con leche”.

Jornais impressos 
Quem foi que disse que o jornal impresso vai acabar? As bancas daqui, verdadeira babel literária, estão abarrotadas de publicações, e mais, todo mundo lê os jornais. No metrô há, em cada vagão, pelo menos uma dúzia de leitores aficionados. E tem para todo gosto. Os jornais de outros países também tem força aqui. Agora, a febre mesmo é por um tal argentino chamado Messi, atacante do Barcelona. Desde quando cheguei, no início de abril, o time de Camp Nou não para de fazer gols. O artilheiro argentino está em todos os jornais e todos os dias, mesmo naqueles que seu time não está em campo. Os catalães querem saber tudo sobre a vida desse jovem de 22 anos, que joga bola com a fome de criança.


O povo de Barcelona 

As roupas de frio, indispensáveis mesmo com o fim do inverno, fazem dos espanhóis um povo muito elegante. Botas, cachecóis, sobretudos e passos rápidos, completam o figurino.

Um grande centro de conhecimento e ciência 


Quando andamos pela cidade, principalmente pelas áreas universitárias, podemos ter a real dimensão da preocupação do governo com a educação e o conhecimento. Visitei a Universitat de Barcelona, uma das maiores da cidade. O que se vê lá são corredores intermináveis e salas de aulas lotadas de gente. A biblioteca, que mais parece um boticário, guarda milhares de livros à vários séculos. Escolas de gastronomia, cinema, teatro, design de moda e gráfico estão por toda parte.  A Universidade onde estudo, Uvic, é uma escola um pouco distante da cidade, numa região onde o idioma catalão é obrigatório. A língua é um fator complicador para um estrangeiro como eu.

Barcelona não mais sairá da cabeça nem os cheiros que descobri aqui. Neste lugar encantador, um mundo feito de receitas e segredos, dos bons! Cidade que se descortina frente ao meu olhar de menino bobo, que acabou de nascer.